Nomes tapuias


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 O Brasil dos outros 500


No Brasil dos Outros 500, “tapuia” é uma denominação genérica para indígenas que não se integraram à civilização luso-brasileira ou tupi-guarani e que, na sua grande maioria, falam línguas dos grupos macro-jê, caribe, aruaque  e arauá . Há ainda pelo menos nove famílias menores: guaicuru, nhambiquara, txapacura, pano, mura, catuquina, tucano, macu e ianomami e um grande número de línguas não classificáveis em famílias. Conhecem-se cerca de mil línguas.

(Note que, embora os antropólogos modernos prefiram uma grafia fiel à fonética indígena e sempre usem maiúsculas para nomes de tribos, como é costume em inglês, usamos aqui grafias aportuguesadas, como seria de se esperar no Brasil dos Outros 500.)

Os costumes relativos a nomes próprios variam de povo para povo. Os ianomâmis e os caribes adotam um sistema exonímico como o dos tupis-guaranis: – os nomes são individuais, associados a características físicas e psicológicas do indivíduo ou a feitos heróicos ou notáveis (caso em que são acrescentados na idade adulta). São tomados de seres e pessoas de fora do grupo – seres mitológicos, mortos, inimigos, animais, vegetais, minerais, alimentos e objetos manufaturados – e podem ser livremente inventados, embora freqüentemente sejam tomados de algum ancestral respeitado.

Mas os jês, aruaques, panos, tucanos e a maioria dos outros “tapuias” adotam um sistema endonímico – os nomes espirituais ou “verdadeiros”, assim como os estilos de ornamentos e os bens herdados, são mantidos no interior do grupo, constituem parte de sua propriedade e identidade de grupo e designam relações sociais especiais.

O “estoque” de nomes é limitado e circula exclusivamente dentro de um mesmo clã.  Às vezes, existe uma hierarquia entre os clãs, que funcionam um pouco como castas sociais: entre os tucanos, por exemplo, o clã situado no topo, ou os “irmãos mais velhos”, são os chefes, seguidos pelos dançarinos-cantadores, guerreiros, pajés e servos, em ordem descendente. Em teoria, o mais velho de um grupo de irmãos masculinos deveria ser o chefe da maloca, o seguinte um dançarino e assim por diante.

Quando nasce uma criança – ou em alguns povos, só quando ela começa a andar e falar – é dado a ela um nome espiritual do repertório tradicional, que antes pertenceu a outra pessoa do mesmo grupo.

No caso dos tucanos, que transmitem a herança por linha paterna, prefere-se o do avô paterno ou um de seus irmãos ou irmãs, mas sempre um falecido. A escolha é feita por um pajé, de preferência um parente do pai por linha paterna, que se torna o “padrinho” da criança. Como o conjunto de nomes é restrito, é comum que dois indivíduos tenham o mesmo nome espiritual.

No caso dos jês, os nomes são transmitidos entre pessoas vivas e por via materna – tipicamente, do irmão da mãe para os sobrinhos e da irmã do pai para as sobrinhas. Esta transmissão cria uma relação cerimonial especial entre o portador original do nome e o que o recebe e os torna equivalentes quanto ao seu papel na estrutura da sociedade.

Ao contrário dos tupis-guaranis, esses povos não supõem que a alma do portador anterior desse nome esteja reencarnado na criança, mas sim que a criança ocupa o espaço deixado vago pelo ancestral, é sua sucessora. Em muitos povos (como os timbiras) ela também assume os papéis sociais e as relações de parentesco do falecido: os filhos vivos do avô chamarão a criança de “pai”. Em teoria, o nome assinala o papel social que a criança deveria preencher: assim, há nomes adequados para chefes, para dançarinos, para guerreiros, para pajés etc. Na prática, isso nem sempre acontece. Por exemplo, para os deçanas (tucanos) Nungu Yé (raiz-pajé) é um nome espiritual adequado para pajés. Nomes espirituais são freqüentemente derivados de nomes de animais, plantas etc., mas nem sempre sua origem é clara.

Apenas as crianças são chamadas rotineiramente por seus nomes espirituais. Os adultos não mencionam seus próprios nomes espirituais, não os revelam aos outros e podem se ofender se os ouvem falados. Só os usam, discretamente, no discurso ritual e em cerimônias coletivas. Durante os ritos de iniciação, os homens do clã revelam para os jovens a serem iniciados os ossos do ancestral nos instrumentos musicais sagrados, e ensinam-lhes os nomes e as proezas de seus ancestrais. Vestem seus nomes em seus corpos como ornamentos, tocam-nos nas flautas e entoam-nos em seus cantos e músicas.

No uso diário, tanto para se referir ao indivíduo quanto para chamá-lo são usados apelidos jocosos e individualizantes, nomes estrangeiros (ou seja, tupis ou portugueses) ou termos de parentesco. Os apelidos são formados de maneira semelhante aos nomes verdadeiros dos tupis-guaranis. A maioria deles são tirados de animais ou de hábitos, biografia e aparência do portador: em tucano, por exemplo, Maka Hino, “Jibóia”, Yese Hoa, “Cabelo de Porco do Mato”, Siru, “Japim”, Wani Hiko, “Rabo de peixe-geográfico”, Riti, “Carvão”, para uma criança suja, Güso Lise, “Boca de Jacaré”, para um rapaz mordido certa vez por um jacaré. Entre muitos povos, como os tucanos, o pai e a mãe podem passar a ser chamados pelo nome de um dos filhos – por exemplo, Hatira Hako/ü, “mãe/pai de Hatira”. Nomes “estrangeiros” podem ser arbitrários ou incorporar poderes exóticos e externos dos estrangeiros – Cristo para o líder de um movimento messiânico, Santiago para um adepto do culto desse santo.

O apelido ou nome “estrangeiro” representa, assim, o aspecto exterior, pessoal e único do indivíduo. O nome espiritual representa sua herança, sua natureza mística e seu papel na comunidade.

No Brasil dos Outros 500, a maioria dos tapuias vive dentro de comunidades semi-autônomas e relativamente isoladas dentro do Império Luso-Brasileiro e só recentemente algumas de suas comunidades começaram a manter relações mais sistemáticas com a economia e a política imperiais. Para fins de registro civil, são registrados com um apelido ou nome “estrangeiro” e tomam como sobrenomes o nome de sua aldeia e de sua “tribo” (geralmente, o mesmo nome da língua). O nome espiritual não é oficialmente registrado.

Nomes próprios

Masculino

 

Feminino

 

nome

língua

nome

língua

Acaiári

aruaque

Acutipuru

cubéua

Ailã

macuxi

Amau

baré

Ajuruena

aruaque

Denakê

carajá

Akto

arara

Erem

cubéua

Alobederi

carajá

Hoholaialô

pareci

Apoenã

xavante

Imaerô

carajá

Ari

bororo

Kokoterô

pareci

Aritana

camaiurá

Nadi

carajá

Ati

bororo

Nanine

guaicuru

Bacororo

bororo

Niara

caingangue

Boleca

deçana

Pai

caxinaua

Butúie

bororo

Pelenosamó

taulipangue, pemon ou arecuna

Cancelri

baníua

Takina

carajá

Caruçacaiby

bororo

Taualu

trumai

Dununaua

caxinaua

Terê

arara

Gilijoaibu

taulipangue

Uhe’ékoti

terena

Iaicaicani

palikur

Vaiúlale

taulipangue

Irueruré

carajá

 

 

Itubore

bororo

 

 

Izi

tariana

 

 

Juína, Zuiwina

pareci

 

 

Juruna

xavante

 

 

Kaloré

caingangue

 

 

Kamaikorê

pareci

 

 

Korotowi

txicão

 

 

Kretã

caingangue

 

 

Kuiussi

suiá

 

 

Macunaíma

taulipangue

 

 

Makaulapa

meinaco

 

 

Meri

bororo

 

 

Meri

bororo

 

 

Paiakan

caiapó

 

 

Panlamin

deçana

 

 

Poronominare

baré

 

 

Rairu

bororo

 

 

Raoni

caiapó

 

 

Sapaim

camaiurá

 

 

Tainá, Tainacã

carajá

 

 

Tamarikô

juruna

 

 

Tarrula

caribe

 

 

Temiti

suiá

 

 

Tipoca

palicur

 

 

Tolaman

deçana

 

 

Tutupompo

caiapó

 

 

Uaiú

cubéua

 

 

Umusín

deçana

 

 

Waliró

deçana

 

 

Waw

deçana

 

 

Weni

aruaque

 

 

Xambré

caingangue

 

 

Xangri

caingangue

 

 

Zaluiê

pareci

 

 

Zatimare

pareci

 

 

Nomes de tribos tapuias

Tribo

família

Tribo

família

Aicaná

isolada

Lacondê

nhambiquara

Amauaca

pano

Latundê

nhambiquara

Apalaí

caribe

Maatis

pano

Apaniecra (Canela)

macro-jê (jê timbira)

Macuxi

caribe

Apinajé

macro-jê (jê)

Macuxi

isolada

Apurinã

aruaque

Maiá

pano

Arapaço

tucano

Maiongong

caribe

Arara (do Pará)

caribe

Maioruna

pano

Aricapu

isolada

Mamaindê

nhambiquara

Atroari

caribe

Mandauaca

aruaque

Auaquê

isolada

Manitenéri

aruaque

Bacairi

caribe

Marubo

pano

Banafá-Jafi

arauá

Matipu

caribe

Baníua do Içana

aruaque

Maxacali

macro-jê (maxacali)

Bará

macu

Maxinéri

aruaque

Baraçana ou Bará

tucano

Meinácu

aruaque

Baré

aruaque

Mencrangnoti

macro-jê (jê caiapó)

Bororo

macro-jê (bororo)

Miriti-tapuia

tucano

Cabixi

nhambiquara

Munduca

nhambiquara

Cadivéu

guaicuru

Mura

mura

Caingangue (Coroado)

macro-jê (jê)

Nadeb

macu

Calapalo

caribe

Nafuquá

caribe

Camã

macu

Nagarotu

nhambiquara

Campa

aruaque

Ninam

ianomami

Canamanti

arauá

Nucuíni

pano

Canamari

catuquina

Ofaié

macro-jê

Canoê

isolada

Pacaanova

txapacura

Carajá

macro-jê (carajá)

Palicur

aruaque

Carapanã-tapuia

tucano

Paracatéie (Gavião do Pará)

macro-jê (jê timbira)

Cararaô

macro-jê (jê caiapó)

Pareci

aruaque

Caripuna

pano

Pataxó

macro-jê (maxacali)

Catauixi

catuquina

Pataxó-Hãhãhãe

macro-jê (maxacali)

Catuquina do Acre

pano

Paumari

arauá

Catuquina do Biá

catuquina

Piraã

mura

Caxarari

pano

Pirá-tapuia

tucano

Caxinaua

pano

Piro

aruaque

Caxuiana

caribe

Poianaua

pano

Coaiá

isolada

Pucobié (Gavião do Maranhão)

macro-jê (jê timbira)

Cocraimoro

macro-jê (jê caiapó)

Rancocamecra (Canela)

macro-jê (jê timbira)

Craô

macro-jê (jê timbira)

Ricbactsá

macro-jê

Crenacarore

macro-jê (jê)

Salumã

aruaque

Crenaque

macro-jê (botocudo)

Sanumá

ianomami

Crenjé

macro-jê (jê timbira)

Suiá

macro-jê (jê)

Cricati

macro-jê (jê timbira)

Suriana

tucano

Cubencranhoti

macro-jê (jê caiapó)

Tapaiúna

macro-jê (jê caiapó)

Cubencranquenhe

macro-jê (jê caiapó)

Tariana

aruaque

Cubéua

tucano

Tariana

tucano

Cuicúru

caribe

Tauandê

nhambiquara

Culina

arauá

Taulipangue

caribe

Deçana

tucano

Terena

aruaque

Deni

arauá

Ticuna ou Tucuna

isolada

Galera

nhambiquara

Tirió

caribe

Galibi

caribe

Torá

txapacura

Gorotire

macro-jê (jê caiapó)

Trumai

isolada

Guariba-tapuia

macu

Tucano

tucano

Guató

macro-jê

Txicão ou Ikpeng

caribe

Hixcariana

caribe

Txucarramãe

macro-jê (jê caiapó)

Hupda

macu

Txunhuã-djapá

catuquina

Iabaana

aruaque

Uaiana

caribe

Iaminaua